A felicidade buscada nas coisas materiais

" Grande parte dos mecanismos da atual sociedade pós-moderna não pressupõe como destinatários
pessoas que vivem conscientemente a sua liberdade, achando assim o sentido da sua vida.

Quem achou o sentido da sua vida não está mais frustrado. Quem descobriu o rumo de sua existência
tornou-se feliz. Mas pessoas felizes não podem ser convencidas de que precisam comprar cada vez mais produtos; que necessitam de novas roupas, de novos carros, de televisores maiores, de panelas mais sofisticadas e de papel higiênico perfumado.

No entanto, a propaganda cria exatamente essas necessidades artificiais e promete que a sua satisfação trará felicidade e sentido para a vida.
Pessoas felizes resistem às tentações de um sistema, cujo objetivo único é vender; vender cada vez
mais, para assim garantir o crescimento econômico, para maximizar o lucro e aumentar o fluxo de
dinheiro, de tal maneira que o comprador finalmente até esquece a razão pela qual comprou. A
compra torna-se o fim em si, e cada um que não compra, pode ser chamado de a-social.

Para que esse sistema funcione, os seus integrantes devem ser mantidos num constante estado de
frustração. A esses frustrados, promete-se o alcance da felicidade através do ato da compra. Promete-se a eliminação das frustrações através da posse de cada vez mais produtos. Ao mesmo tempo, porém, o grau da sua frustração é aumentado mostrando a eles, por meio de um sistema sofisticado de propaganda, tudo aquilo que ainda não possuem e que também devem possuir para ser felizes. À medida que nunca se pode comprar tudo aquilo que é oferecido, o grau de frustração aumenta.

Quanto mais frustradas as pessoas se tornam, mais elas compram. Dessa maneira, a ciranda torna-se
infinita, porque uma vez comprado o produto, já se oferece o próximo, melhor e mais sofisticado e,
através da posse dele, promete-se maior felicidade ainda. Assim, as pessoas compram, consomem e
correm atrás do dinheiro necessário para poder comprar mais. E quanto mais correm, tanto mais
frustradas ficam, até que esse círculo vicioso finalmente conduz ao colapso não do sistema, mas da
pessoa."

Citação retirada do livro: J.BLANK, Renold, Encontrar Sentido na Vida - Propóstas Filosóficas, pág 27. Editora Paulus, 1ª edição. SP,2015

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