Casa

Da vida não espero muito
Além do que já esperei
À sombra de um quintal
De tardes quietas

Sorvo o mate lentamente
Ouvindo o roncar da bomba
Observo o pássaro
Que pousa sob a flor

Muito vaguei por aí
Antes de pisar nesta terra
Regada a suor e trabalho duro
Plantando um futuro

Hoje desfruto de sossego
Sem estresse, sem apego
Deus deu, pode também tirar
E me concede a graça de desfrutar

Louco

Se eu louco fosse
Louco eu seria 
Não choraria
Nem sofreria.

Não sei. Talvez,
cantaria e sorriria 
na insanidade loucura,
de não ser alguém normal. 

Quisera ser louco,
fazer muito do pouco.
Exagerar na risada, 
cantar mais que deveria.

Ver a realidade distorcida,
sem a mentira dos fatos,
mas a verdade, vivida. 
Porque louco, não mente.

Os dias passariam.
E eu ali, no meu mundo,
enganado, mas alegre.
Louco.

Silêncio

O silêncio também é grito
Silenciado pelo não dizer.
Entre tudo que não foi dito,
Pode ser um prazer não falar.

O silêncio também é grito,
guardado atrás dos dentes,
onde a língua, ferida,
não ousa incendiar o ar.

Há um prazer secreto em calar:
segurar o grito como quem segura
um copo prestes a cair,
prestes a se quebrar.

É uma febre contida,
uma lâmina afiada,
queimando no escuro,
em sacrifício mudo.

Verossimilhança

Verossímil era
a verossimilhança
da mentira
mal contada.

Porta estreita
entreaberta
como sentença
já proferida — Incerta.

Certeza fria
em forma aberta.
A dúvida dança
na linha discreta.

Não sei, se é verdade
ou mentira. Verdadeiro
ou mentiroso. Não sei.
Sei apenas: me falta saber.

A porta

A porta estava trancada.
E mesmo que tentasse abri-la,
De nada adiantava. Seguira calada.
Achei que as escadas seriam a saída.

Nada. A porta que dava acesso a elas
Também estava fechada. Impassível.
Tentei forçar. Arrombar mesmo.
Só restou o cansaço, mudo e sensível.

Foi então que, frustrado, desisti.
Eu não tinha as chaves de nenhuma.
De que adiantava? Tanto esforço?
Se nunca coube a mim abri-las.

O Medo

Eu tenho medo do medo.
Por conta do problema,
tudo isso vivo em segredo.
Buscar força, se tornou um lema.

O medo de ter medo,
toma conta da vida,
vira um enredo
de uma não ficção

Para a libertação,
precisa o vencer.
Buscar inspiração
e se auto-conhecer

O medo, é medo da vida,
na verdade, fobia de viver.
É sintoma, de quem quer arriscar,
sem o risco de sofrer.


Sonhe grande, mas cuide das coisas pequenas

 "O céu é para quem sonha grande, ama grande e tem a coragem de viver pequeno." - Pe. Leo

Sonhe grande, mas cuide das coisas pequenas:

Está tudo bem ter sonhos e estabelecer metas para realizá-los. Devemos, sim, sonhar, desde que nenhum sonho ofusque o maior de todos: Ser santo.

Contudo, um sonho pra se realizar, é pavimentado por pequenos esforços. Aqueles sacrifícios, pequenos ou grandes do dia a dia, que quase ninguém vê. São estes pequenos sacrifícios, que serão a base dos seus sonhos. 

Quem não se esforça nas pequenas coisas, cairá de joelho diante dos grandes desafios. E não será pra rezar. A vida é assim, e nela não existem atalhos. 

Todos aqueles que conquistaram um lugar nos sonhos em que cultivavam, trabalharam duro por anos e anos no oculto, sendo vistos somente - e o mais importante, por Deus.

A recompensa dos homens nem sempre chega e quando vem, pode até mesmo soar injusta.

Mas a recompensa de Deus,  é divina e não falha. Pode até tardar, pois para nós, seu tempo é diferente.  Mas ela não falta. 

Plante e colha, seja o bem, seja o mau, o dia da colheita chega. Um dia chega.

Casa

Da vida não espero muito Além do que já esperei À sombra de um quintal De tardes quietas Sorvo o mate lentamente Ouvindo o roncar da bomba O...