A ditadura da Felicidade




Hoje eu acordei cedo. Mesmo num sábado. Não trabalho em fim de semana, não tinha compromisso nenhum, simplesmente despertei de um pesadelo. Talvez para um pesadelo pior. O dia de hoje.

O gosto do café que eu amo, mesmo com mais açúcar que o normal estava amargo. Na geladeira, o pote de margarina já tinha acabado. Ih, seria um dia e tanto.

Fui às compras na feira e me apaixonei pela moça que me atendeu. É, eu não estava normal! Não creio em amores platônicos.

Por dentro, parece que meu peito rasgava, e não era sintomas da paixão.  Era agonia mesmo. Dor.

Tenho um bom emprego, ganho bem. Dinheiro sobrando no banco, mas ele não é capaz de comprar a felicidade. Tampouco algum remédio que cure essa agonia que ataca no peito.

A mente, a mil. Pensei em meditar pra ver se resolveria. Ajudou um pouco. Acredito que tenho falhado nesse ponto. Parei de meditar todos os dias.

Ainda assim, com tudo isso, estou aqui, buscando um dia melhor.
Ninguém explícita isso nas redes sociais. Pois não gera compartilhamentos. Não da Ibope. A internet é linda pra postar fotos de comidas gostosas e momentos felizes. mas quando se chora ou se está comendo apenas feijão com arroz ninguém posta.

Não há remédio que cure esta dor quando ela chega. Não adianta encontrar alguém, ir às compras ou se afogar no álcool. O diagnóstico desta dor é a existência. Você existe. Por isso sofre.

Sofrer faz parte do ser humano. E eu não entendo por que a sociedade colocou uma pedra sobre o sofrimento, como se necessitássemos estarmos sorrindo o tempo inteiro. Feliz o tempo inteiro.

Existir dói. Machuca as vezes. Não há nada de errado em ter um dia ruim ou se sentir desconfortável. A dor de existir é mais comum do que parece, embora grande parte das pessoas busque anestesiá-la indo às compras, usando drogas ou se medicando.

Se você quer evoluir como ser humano, e até mesmo intensificar os poucos momentos felizes que tens, sinta esta dor. Passe por ela. Não menospreze, nem amenize. Mas se ame. Pois você certamente nasceu chorando e vai ter esse sentimento de dor o resto da vida. Algumas vezes mais intensa e em outras mais fraca. E mesmo que você suprima-a, em algum momento, ela vai te pegar.

E repito: não há nada de errado nisso. Existir tem seu preço.







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